
08/04/2009 - 07:13 - Caio Blinder, de Nova York
Barack Obama veio, viu e venceu algumas paradas na sua primeira grande viagem internacional, encerrada com uma visita-surpresa, mas nem tanto, na terça-feira a Bagdá. Como era de se esperar nas várias escalas (reuniões do G-20, União Européia e Otan) foi uma sensação, não apenas por ser uma novidade, mas por entender que os EUA têm um novo papel.Ave, Obama. Articulado, charmoso, cosmopolita e ambicioso, ele conseguiu ser imperial e humilde ao mesmo tempo. O império americano perde capital político e econômico, mas continua sendo indispensável e, de longe, o principal ator no cenário multipolar. Obama, portanto, insistiu em escutar, mas teve muito a dizer, inclusive quando precisou aparar arestas enfre franceses e chineses na reunião do G-20, em uma pendência sobre paraísos fiscais. Obama diluiu o ardor de regulação financeira dos europeus, mas não arrancou concessões por mais estímulos fiscais. Obama é grande, mas a crise global muito maior.
Na parte geopolítica, os companheiros europeus da Otan não abrem mão do apoio ao grande irmão americano, mas no geral se fecham ao seu apelo por mais tropas no Afeganistão, uma guerra cada vez mais americanizada. Já o apelo de Obama por um mundo sem armas nucleares foi, simultaneamente, relevante e constrangedor, pois o pano de fundo foi o lançamento do foguete norte-coreano.
A escala na Turquia (país que é ponte entre Europa e Ásia e entre civilizações) reafirmou o empenho de Obama de buscar a reconciliação com o islamismo. E aqui foi muito interessante a ênfase do presidente para mostrar os componentes não tradicionais de sua formação, como o pai queniano e muçulmano, além do fato de ter passado parte da infância na Indonésia. E várias vezes, o presidente americano fez questão de assumir quem é, de nome inteiro: Barack Hussein Obama.
Claro que não devem acontecer milagres. Muito estrago foi feito na era Bush e os consertos serão penosos e muitas divisões intransponíveis. Evidentemente, espírito conciliatório é uma rua de duas mãos. Mas as coisas não devem ser confundidas. Em um dos seus discursos, Obama ressaltou que, "embora eu seja o presidente e não mais George Bush, a Al-Qaeda ainda é uma ameaça e nós não podemos fingir que tudo será OK porque Barack Hussein Obama foi eleito presidente". Tradução: apesar dos poderosos simbolismos de mudança, o mundo continua sendo um lugar perigoso e os EUA não podem baixar a guarda.
O mundo é perigoso e turbulento. Obama herdou um desastre econômico, seu país está atolado na guerra do Afeganistão (enquanto escapa do Iraque), tem adversários imprevisíveis como a Coréia do Norte, aliados europeus não muito camaradas e a superpotência emergente chinesa ainda confusa sobre o seu papel. Nestas circunstâncias, é melhor ter alguém como Obama tentando manejar as coisas.
-'muito bom-edjane maps'
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